Ganhou quebrado?

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COMO ASSIM?
Por Vicente Queiroz

Era grande a expectativa do público sobre alguns pilotos “de fora”, que estariam fazendo sua primeira participação na 250 e um dos mais esperados era o Zé Louquinho. Recordista brasileiro de categoria e também dono do recorde absoluto de algumas pistas, todos queriam saber como se daria na tão imprevisível 250.Confesso que eu também era um dos curiosos, mas logo na primeira puxada do piloto, minha curiosidade se transformou em pena. Explico: Logo que o Chevette alinhou, começou a carregar a turbina e o impensável aconteceu: A embreagem começou a “centrifugar” e o carro começou a andar sozinho, queimando a largada.

Para quem não entende, na 250 isso é uma sentença de morte na prova. Se o carro não consegue largar sem queimar, não tem nenhuma chance na competição.

Pensei pra mim: “Que droga, o cara vem de longe, puta expectativa em cima e vai passar vergonha na frente de 5 mil pessoas…”

Para completar, além de queimado saiu mal, nem de longe lembrando a performance que o carro apresentava em outras pistas, fazendo os 250 em 8.3, o que mal dava para a eliminatória de acesso.

O Zé então voltou para o box, acertou o four link, voltou pra pista, colocou a equipe a segurar o carro pela asa traseira, carregou o turbo no final da contagem do alinhamento e simplesmente enfiou 1.2 de 60 pés e 6.3 nos 250, baixando de uma só vez mais de meio segundo do recorde da prova!

Dá para acreditar?

Mas ainda havia um problema. Mesmo sendo o mais rápido da prova, ele precisava conseguir acertar o ponto de carregar o turbo para que a reação não fosse alta demais, mas que a equipe conseguisse segurar o carro, evitando a queima de largada. Isso fez com que todas as suas reações na prova ficassem muito mais altas do que o normal, dando uma janela generosa para que os adversários pudessem colocar diferença na reação e vencer no tempo total, mesmo não se equiparando a performance do Chevette no tempo de pista.

Mas inacreditavelmente, com reações variando entre 0.500 e 1 segundo cheio, Zé conseguiu levar o carro até a vitória, sempre com a equipe segurando a traseira do carro em cada largada.

Mais do que um piloto arrojado, mais do que um carro matador, uma equipe que soube contornar um problema que poderia ter sido uma catástrofe.

Minha curiosidade acabou, o cara não tem mais nada a provar pra mim. Na 250 de 2015 aprendi que quem tem pena é galinha.